A exposição à tecnologia presente em
computadores, smartphones e videogames libera neurotransmissores e provoca
alterações nas células cerebrais. Novas conexões neurais são formadas enquanto
outras se enfraquecem. Embora os mais jovens sejam os mais afetados, os efeitos
da vida digital são observados em todos até em idosos, que têm seus circuitos
neurais alterados ao fazer buscas na web. Já não há dúvidas de que esse
processo está transformando o cérebro das pessoas num ritmo sem precedentes.
Uma pesquisa recente mostrou de forma clara como a tecnologia
digital afeta o cérebro humano. Uma equipe da Universidade da Califórnia em Los
Angeles (UCLA) fez um experimento para avaliar os efeitos das buscas online em
idosos. A equipe, liderada pelo neurocientista Gary Small, recrutou voluntários
na faixa de 50 a 70 anos.
Eles foram divididos em dois grupos: o dos que usavam computadores
e o dos que não tinham experiência com essas máquinas. Cada um teve seu cérebro
analisado por ressonância magnética enquanto realizava uma atividade que
simulava buscas na web. Eram tarefas como pesquisar benefícios de comer
chocolate ou planejar uma viagem a Galápagos.
Os cientistas da UCLA observaram que, entre os experientes em
internet, a pesquisa na web produzia intensa atividade numa área da região
frontal esquerda do cérebro, o córtex pré-frontal dorsolateral. Essa região
controla a habilidade de avaliar informações complexas e tomar decisões. Nos
voluntários sem familiaridade com computadores, houve pouquíssima atividade
nessa área.
Alguns jogos de computador podem melhorar as
habilidades cognitivas e a capacidade de executar múltiplas tarefas
simultâneas. Cientistas descobriram que voluntários que jogavam durante oito
horas por semana tinham um aumento de duas vezes e meia num índice criado para
medir a capacidade multitarefa das pessoas. Outra pesquisa, feita na
universidade de Rochester, no estado americano de Nova York, apontou que jogar
videogames pode melhorar a visão periférica.
Como ocorre com alimentos e exercícios físicos,
conteúdo digital em excesso pode ser ruim para a saúde. Imagine alguém com seu
celular ao alcance da mão, navegando na web pelo computador, recebendo
mensagens instantâneas, acompanhando o que seus amigos estão fazendo nas redes
sociais, prestando atenção ao e-mail que chega e lendo notícias por RSS. O
problema é que esse estado mental, quando mantido por longos períodos, torna-se
estressante. A pessoa passa a ter dificuldades para raciocinar e tomar
decisões.
Os estudos mostram que pessoas que permanecem
muitas horas conectadas começam a cometer erros bobos. Mostram-se fatigadas,
distraídas e facilmente irritáveis. Sob esse
estresse, o cérebro envia sinais à glândula adrenal, que libera adrenalina e
cortisol. Esses hormônios fazem a pessoa se sentir mais bem disposta no início.
Mas, com o tempo, os circuitos neurais do hipocampo, das
amídalas cerebelosas e do córtex pré-frontal — regiões do cérebro que controlam
o estado de humor e o pensamento — são alterados negativamente. O estresse
passa a prejudicar a percepção e o raciocínio, além de provocar depressão.
Viciados em
internet têm alterações similares no cérebro àqueles que usam drogas e álcool
em excesso. Cientistas chineses estudaram os
cérebros de 17 jovens viciados em internet e descobriram diferenças na massa
branca - parte do cérebro que contém fibras nervosas - dos viciados na rede em
comparação a pessoas não-viciadas.
A análise de exames de ressonância
magnética revelou alterações nas partes do cérebro relacionadas a emoções,
tomada de decisão e autocontrole.
“Por meio da mídia digital, a geração net vai
impor sua cultura ao resto da sociedade” Don Tapscott
Material enviado por:
Gabrielle Nunes, Nicole Collares, Pedro Batisti e Amanda Caroline
Referências:

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